O Auditório Salvador de Ferrante, conhecido como Guairinha, recebe em maio um encontro inédito no teatro paranaense. Os atores Ricardo Blat e Caio Blat dividem o palco pela primeira vez na carreira em “Subversão Kafka”, montagem que parte de três contos do escritor tcheco Franz Kafka: “Primeira Dor”, “O Artista da Fome” e “Josefina, a Cantora dos Ratos”.
As apresentações acontecem entre os dias 8 e 10 de maio, com sessões na sexta e no sábado às 20h, e no domingo às 18h. Os ingressos custam R$ 140 (inteira) e R$ 70 (meia-entrada) e já estão disponíveis no DiskIngressos e na bilheteria do Teatro Guaíra.
Encontro de primos e união da família Blat
O espetáculo também marca a reunião de três integrantes da família nos bastidores e no palco. Além de Ricardo e Caio em cena, o roteiro é assinado pelo dramaturgo Rogério Blat, irmão de Ricardo e primo de Caio. A direção fica por conta de Caio, que também atua na montagem.
Em nota, Caio Blat descreveu o trabalho como a correção de um “absurdo” que durava tempo demais. “O meu primo Ricardo é a maior inspiração da minha carreira, ele é um ator imprevisível, ‘ameaçador’, magnético”, afirmou. O ator e diretor lembrou que Ricardo e Rogério já haviam criado espetáculos que o marcaram profundamente, como “O Patinho Feio” – um solo de Ricardo com adaptação de Rogério. “É um absurdo que eu nunca tenha trabalhado com eles. Mas agora esse absurdo está sendo corrigido”, completou.
Caio ainda destacou a dimensão pessoal e artística do projeto: “É um sonho fazer Kafka, um dos artistas que eu mais amo e temo, com a adaptação do Rogério, e contracenando um dos maiores atores desse país, que é o Ricardo Blat.”
O que a peça propõe
“Subversão Kafka” reúne três dos últimos contos escritos por Kafka, todos eles centrados na figura do artista e sua relação com o mundo contemporâneo. A montagem confronta ideias como a busca obsessiva pela perfeição artística e a sensação de que o talento pode, em alguns momentos, beirar a fraude.
A trama se passa dentro de um teatro em ruínas, onde dois atores remanescentes realizam aquela que seria a última apresentação de uma companhia de Teatro de Variedades. O grande número da noite seria a apresentação de Josefina – uma cantora que, na montagem, tem a forma de uma rata. Para surpresa dos artistas, que já não esperavam mais público, os ratos comparecem em peso. A apresentação, no entanto, se torna incerta quando a cantora é anunciada e demora a entrar em cena. Os atores, então, improvisam para acalmar a plateia e acabam homenageando antigas personalidades da companhia: um trapezista que nunca mais quis descer do trapézio e um jejuador que sofre com a rejeição do público à sua arte.
Quando finalmente Josefina aparece, seu canto – um guincho estridente – hipnotiza a todos. A peça questiona o que há de tão especial nesse som que transformou a personagem em um mito.
Para escrever o roteiro, Rogério Blat mergulhou na vida e na obra de Kafka em busca de uma encenação autêntica. Segundo o dramaturgo, sua principal motivação foi construir um texto em que o irmão e o primo se divertissem a cada apresentação, consolidando o afeto e a união da família.
Música ao vivo e desafios para os atores
A trilha sonora do espetáculo é executada ao vivo pelo pianista, arranjador e compositor Fernando Moura, conhecido por seu trabalho no teatro e no audiovisual. A música original integra a atmosfera kafkiana da peça e acompanha as ações dos atores em cena.
Ricardo Blat, por sua vez, comentou os desafios de interpretar Kafka. Para ele, estar em cena com um texto do escritor tcheco é como “vivenciar um sistema social e artístico apontado por ele há um século, mas que permanece atual”. O ator também celebrou o aspecto familiar do projeto: “Trabalhar sobre a dramaturgia do Rogério, meu irmão, atuando com e sob a direção do Caio, meu primo, é estar envolto na ternura dos Blat. Uma honra”, disse.
A peça tem duração de 80 minutos e é recomendada para maiores de 14 anos.



